Sexta-feira, 24.07.09

Já que os órgãos de comunicação social fizeram tábua rasa do comentário do companheiro abrupto da Ferreirinha eu reproduzo-o:

 

"Manuela Ferreira Leite tem direito a uma interpretação especial. Como ela não fala em slogans como o primeiro-ministro em que aquilo é tudo montado e, portanto é tudo feito para passar encaixadinho e passa bem, Manuela Ferreira Leite fala como uma pessoa normal. Com veemência. Mas ela não está ali a debitar recados. Portanto, como ela não tem a capacidade de repetir os slogans, não tem capacidade mediática, nem fala bem. Nem fala tão bem, como o primeiro ministro ou outras pessoas como o engenheiro Guterres, não fala bem. Não fala tão bem, enreda-se, tropeça. O eleitorado percebe muito bem a mensagem porque a substância não é a mesma coisa. Se nós vamos apenas ater-nos à interpretação das palavras, com esta espécie de patrulhamento que existe sobre as palavras dela, e eu já disse que foi infeliz, particularmente na correcção [do rasgar], foi muito infeliz, ela não pode corrigir o que afirma daquela maneira."

 
Imediatamente lhe perguntou um atónito Carlos Andrade:
 
"Os jornalistas devem interpretar o que ela diz?!"
 
A resposta trouxe a afirmação mais franca mas também mais desastrada que, em muitos anos, escutei de alguém com responsabilidades dentro do sistema de suporte de vida de um líder do PPD/PSD:
 
"Os jornalistas devem interpretar a acção política. Que eu saiba, os jornalistas não fazem meras interpretações lexicais ou semânticas. Se o jornalismo, para Manuela Ferreira Leite, se reduz sempre a uma interpretação à letra das palavras dela, então vamos interpretar à letra todas as outras palavras. Acaso os jornalistas não conhecem as posições de Manuela Ferreira Leite? (...) Claro que conhecem. O que acontece é que a senhora muitas vezes exprime-se mal. Isso é um facto adquirido: exprime-se mal e, acima de tudo, quando se contradiz em declarações ou quando quer corrigir, ainda pior. Mas isso significa que as posições de Manuela Ferreira Leite são aquelas que o PS interpretou fazendo uma interpretação das suas palavras à letra?"
 
Embora não carecendo de interpretação, António Costa (o unico comentador de esquerda do programa...é por aqui que se vê a maioria de esquerda nos órgãos de comunicação social) referiu: 
 
"Em primeiro lugar dizer o seguinte: o Pacheco Pereira disse hoje aqui uma coisa absolutamente mortal para a doutora Manuela Ferreira Leite. Você desculpará, você hoje teve um momento de sinceridade que, aliás, não lhe é comum, mas que, no fundo, é dizer o seguinte: nós não podemos tomar à letra o que a doutora Manuela Ferreira Leite diz. Quando a doutora Manuela Ferreira Leite diz, nós temos de saber que ela se expressa mal e, portanto, devemos pôr logo reservas ao que estamos a ouvir que ela diz. Ora isso introduz um problema trágico: a desconfiança total relativamente àquilo que ela diz. Se há coisa que é um valor dos políticos, é os políticos serem merecedores de confiança. É chave para a sua credibilidade nós sabermos que se o político diz "A", é "A" e "B" é "B". Agora se, na sua interpretação, cada vez que a doutora Manuela Ferreira Leite disser o que quiser, nós temos de desconfiar do que ela diz, ou esperar pela sua interpretação ao que ela diga, isso é absolutamente mortal."
 
Resumiu aquilo que muitos se deveriam perguntar...excepto um certo jornalismo...que prefere o silêncio cumplice... 
 
Com estas solidariedades mortais...acho que esta não precisa de comentários do tipo de Gaia...acho que este já precebeu que se não disser nada a Ferreirinha e os seus "companheiros"...não só organizam o velório...como fazem o enterro...
 
E assim vai o abrupto...em todo o seu esplendor...e para felicidade deste país...
publicado por Sandro Pires às 02:18 | link do post | comentar | favorito
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